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Quando o consciente se torna
inconsciente de tudo o que faz, que nos leva a dizer coisas que nem estavam
reservadas para serem ditas, quando damos um passo a mais que devia ter sido
dado há momentos atrás, quando isso faz com que haja revolta. Guerra sangrenta,
chuva de sangue negro, gotas espeças a caÃrem cada vez mais rápido e com mais
força, o suor seca, os sentimentos negativos revelam-se, os olhos não brilham,
ardem, chamas nascem como se não houvesse amanhã. Até pode não haver, quem
sabe. O tempo é uma luta constante, luta contra o humano, tem cada vez mais
força, um dia cairá.
Os
dedos começam a congelar, um por um, não há um único que escape, o destino foi
traçado, não há como voltar atrás. Escolhas? Essas já deviam ter sido feitas,
impossÃvel reverter a vida, não tem como fazer outras ou novas escolhas. Os
erros apoderam-se da mente, a culpa aumenta, cresce cada vez mais, é como
pedaços de vidro a rasgar a pele com pressão e em câmara lenta, agulhas a
espetar no coração… Sensações doentias, limites desconhecidos, vulnerabilidade instalada.
Não há estabilidade.
Quem
sou eu para falar? Pensamentos negativos a cada segundo, sou instável, não sei
o que sinto, o que quero, o que penso, não sei como lidar comigo mesmo sabendo
quem sou, talvez nem isso eu saiba. É difÃcil, sinto cada corrente do meu
corpo, sinto o sangue a correr nas veias, sinto a minha mente a trabalhar, o
coração a bater, mas não sei como me sentir em relação a isso. Viver não é para
se fazer a cada dia? Porque só vivo quando arrisco? O meu coração só acelera
quando passo os limites, quando me magoo ou magoo alguém, quando erro de tal
forma que isso se nota no meu corpo.
Admito,
sinto saudades. Saudades de ter alguém que me compreenda, que lute por aquilo
que mais odeia em mim, que me olhe nos olhos e descubra a minha beleza interior
mesmo quando acho que a mesma não existe. Alguém que me puxe para a vida, que
me incentive a viver e me faça olhar para o mundo com outros olhos, que me
obrigue a ser feliz com simples gestos, que me realize. Podiam apagar estes
pensamentos escuros da minha mente, podiam acabar com o pessimismo que há em
mim, podiam abrir as portas da minha mente e cortar todo o mal, pela raiz, mas
não… há sempre algo mais importante a fazer, há sempre alguém pior que eu e
disso eu tenho a certeza, todos os dias vejo casos novos, pessoas cada vez
pior, mas também sou um ser humano, também sinto, também vou abaixo, mas com
pouco.
A
solidão é estranha, sinto-a a falar comigo, diz que não presto, que sou uma
pessoa inútil, que ninguém me quer, ninguém precisa de mim, e no final de contas
vem alguém dizer que precisa, como posso eu acreditar? Como posso acreditar em
alguém que me conhece há uns tempos? Não há provas, não consigo acreditar nas
ações, nas promessas. Promessas… que nostalgia, palavras tão inúteis, sem
sentido, palavras de boca para fora guardadas no baú da memória com raiva e
ressentimento. A cara dessa pessoa ficou gravada, nunca me irei esquecer de
tanta promessa feita e quebrada. Se não conseguem cumprir, porque falam? Não
tenho moral, eu sei, tanto que prometi e ainda não cumpri. “Vou fazer alguém
feliz” pensava eu… que ingenuidade a minha, nunca irei ser capaz de fazer
alguém feliz, nem nenhuma pessoa será capaz de me fazer a mim feliz. Somos
todos uns monstros, uns animais com espÃrito demonÃaco. Nada nem ninguém é
capaz de se unir a outrem para fazer o bem.
Enfim,
para quê falar? Nada será resolvido, os ouvidos do coração de cada um estão
tapados com o ódio, com o orgulho do dia a dia. O mundo é injusto, julga para
não ser julgado, mas tornasse numa bola de neve, quem julga será julgado, não
sei, isto tem de parar. Julgam pela saudade permanente, ninguém pode ser feliz
porque é um erro seguir em frente, mas tenho de estar com o passado preso em
mim? Tenho de carregar as mágoas do passado? Não posso ser feliz porque os
outros não concordam com a minha decisão? Eu fiz uma escolha, mesmo não sendo a
mais correta foi a minha escolha, o meu coração disse para seguir em frente e
foi isso que fiz.
Sequei
as gotas negras da chuva dos meus olhos, sequei a mágoa que impedia o meu
coração de bater e soltei o sorriso que estava preso. As memórias más continuam
presentes, claro que continuam, foram elas que me ensinaram a crescer, foram
elas que me rasgaram os olhos e permitiram que eles abrissem. As promessas?
Ainda estou à espera que sejam cumpridas. Pode ser um erro querer ser feliz?
Pode, mas como sempre, tentarei aprender, o meu consciente voltará ao seu ciclo
vicioso, mas nunca quebrarei a rotina de tentar. Senão tentar, ninguém o fará
por mim.
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Tudo o que aqui disses-te, compreendo-te a 110%. É estranho porque nunca pensei que alguém pensasse assim. Queres um conselho? Mantém-te assim. Não me conheces, nem eu a ti, mas não preciso de ler mais nada para saber exactamente como és. Não te percas no meio de tantas buscas, de tantas falhas, tantas questões... Infelizmente tive uma experiência que me ensinou uma das maiores lições... que a felicidade, a vida, são meros momentos, que ocorrem ocasionalmente. E esses ficam marcados na nossa memória até um dia mais tarde na solidão habitual nos lembrar-mos com uma certa saudade. E por falar em solidão, essa que aparece mesmo quando estás rodeada de gente...? Sei o que é isso. Também tens tantos pensamentos que não sabes no que pensas? Querer dizer tanto, e conseguir dizer tão pouco...? Ter tantas perguntas a vaguear a mente, e nem sequer percebe-las? Estar de cara pasmada com a felicidade e mesmo assim não te sentires satisfeita? Estar bem só ao fazer o que não é totalmente correcto para o redor, mas sim para ti, deixando em ti uma culpa, simplesmente por tentares ser feliz?
ResponderEliminarSei o que é isso tudo, e muito bem, apenas sê fiel a ti mesma...